Diagramas unifilares: simbologia, bitolas e carimbo do RT

Como o unifilar sai do projeto já com proteções, padrão de medição, memória de cálculo e credenciais do responsável técnico.

13 min de leitura Normas citadas com a versão vigente

O unifilar é a primeira folha que o engenheiro da distribuidora abre. Ele precisa mostrar o caminho da energia — dos módulos ao ponto de entrega — com as mesmas proteções, bitolas, padrão de medição e carimbo do responsável técnico que constam no memorial. Se o desenho e o texto contam histórias diferentes, o processo volta, mesmo com a usina já no telhado.

O que o unifilar precisa mostrar de uma vez

Você não desenha o unifilar para deixar a prancha bonita. Você desenha para o analista percorrer o circuito sem perguntar o que falta. A cadeia típica de um sistema conectado à rede em baixa tensão é esta: módulos, stringbox ou caixa de junção, inversor, quadro de proteção CA, medição e rede da distribuidora.

Cada bloco pede identificação. Modelo de módulo. Quantidade. Número de strings. Modelo de inversor. Potência nominal. Disjuntor. DPS. Seção dos condutores em cada trecho. Ponto de entrega. Sem isso, o analista cruza o desenho com o memorial e encontra o primeiro furo.

O Hora Solar não trata o unifilar como brinquedo de desenho. O diagrama sai do mesmo cadastro do memorial: proteções, bitolas, padrão de medição e carimbo do RT entram uma vez. O SVG, o DXF e o PDF herdam esses valores. Você revisa o desenho. Não redigita a bitola no CAD.

Se o projeto tem microinversores, a cadeia muda. O bloco de stringbox some ou se reduz. O unifilar precisa mostrar isso. Um desenho de inversor string copiado de outro processo não descreve a instalação que está no telhado.

  • — Arranjo CC: strings, módulos por string, polaridade e caixa de junção quando existir.
  • — Inversor (string ou microinversor) com marca, modelo e potência nominal.
  • — Proteções CC e CA, DPS, seccionamento visível e disjuntor geral.
  • — Padrão de medição, ramal de entrada e ponto de entrega identificados.

Simbologia e legenda que o analista reconhece

Simbologia improvisada é retrabalho. O analista da distribuidora lê dezenas de unifilares por semana. Ele espera símbolos de disjuntor, seccionadora, DPS, medidor e inversor no vocabulário da NBR 5410 e da NBR 16690 — não um retângulo cinza com um texto solto.

A legenda não é enfeite. Ela diz o que cada traço e cada bloco significam. Condutor CC e condutor CA precisam ser distinguíveis. Polaridade no lado CC também. Se o desenho mistura os dois lados sem marcar, a diligência chega perguntando o que o cadista “quis dizer”.

Coloque na folha o que o analista vai procurar sem abrir outro arquivo: UC, titular, potência instalada, distribuidora e cidade. Depois a memória de cálculo resumida — bitola, corrente de projeto, queda de tensão. O valor da bitola precisa ter origem rastreável. Número escolhido no olho não se defende numa exigência.

  • — Símbolos de proteção, medição e geração no padrão técnico, não em ícone de apresentação.
  • — Legenda com CC e CA separados, inclusive polaridade no trecho contínuo.
  • — Identificação da UC e do responsável técnico na mesma folha do desenho.
  • — Escala e orientação só entram se a NTD da distribuidora pedir planta junto; unifilar não substitui planta.

Algumas concessionárias pedem também o diagrama de blocos: strings, stringbox, inversor, quadro e interconexão com a rede. É outro documento. Não tente empilhar bloco e unifilar na mesma prancha “para economizar página”. O analista quer cada um no formato que a norma local descreve.

Strings, módulos e o lado CC

O lado CC é onde o cadista mais copia o processo anterior. Doze módulos de 550 W não são “mais ou menos 6 kWp”. São 6,6 kWp. Duas strings de oito módulos não são uma string de dezesseis. O unifilar precisa dizer quantas strings existem, quantos módulos em cada uma e qual é a corrente de curto-circuito de projeto.

Marca e modelo do módulo entram no bloco. Isc também. A corrente de projeto do trecho CC não é a Isc crua: há fator de projeto. Se o memorial declara uma corrente e o desenho rotula outra, a diligência não discute gosto — discute consistência.

A stringbox ou caixa de junção aparece quando o arranjo realmente a tem. Fusível CC por string. Seccionamento CC. DPS CC só entra no desenho se o cadastro do projeto prevê DPS. Desenhar proteção que o memorial nega é o inverso do erro mais comum, e reprova do mesmo jeito.

  • — Quantidade de strings e de módulos por string igual à do memorial e à do formulário de acesso.
  • — Polaridade e trecho CC identificados; bitola do condutor CC no rótulo do trecho.
  • — MPPT separado quando o inversor tem mais de um e o arranjo não é simétrico.
  • — Microinversor: cada grupo no telhado, sem fingir uma stringbox que não existe em campo.

Comprimento do trecho CC não precisa virar um desenho cotado se a NTD não pede. Precisa existir na memória de cálculo. Queda de tensão no trecho CC com limite de projeto visível — 2% é a referência usual de ramal e de trecho de projeto, e o memorial tem de fechar com o mesmo número que o unifilar implica. Sem premissa, o resultado não se revisa.

Inversor no desenho: tipo, modelo e potência

Inversor string e microinversor não compartilham o mesmo desenho. O tipo muda a cadeia. A potência nominal CA não é a potência instalada CC. Doze módulos de 550 W somam 6,6 kWp. Um inversor de 5 kW continua tendo 5 kW nominais. Se o unifilar escreve “6,6 kW” no bloco do inversor, o analista cruza com a placa e devolve.

Marca e modelo no bloco. Tensão de conexão. Número de fases. Um inversor trifásico desenhado como monofásico é erro de padrão de entrada, não de estética. A NTD vigente da distribuidora define o que o ramal e a medição aceitam nessa tensão. O unifilar precisa refletir a ligação real, não a do template da semana passada.

Dois inversores no mesmo ponto de conexão pedem dois blocos — ou a indicação clara de paralelismo. Copiar um único retângulo “inversor” e escrever “2 × 5 kW” no canto é o tipo de atalho que a análise documental pega. O Hora Solar monta a cadeia a partir da quantidade cadastrada. Você não arrasta um bloco extra no CAD para “lembrar” o segundo equipamento.

  • — Separe kWp de módulos e kW nominais do inversor em todos os rótulos.
  • — Tensão e fases iguais às do memorial e às da fatura da UC.
  • — Inversor híbrido com bateria: documente o modo de operação; o unifilar de um on-grid simples não cobre armazenamento.

Se o equipamento mudou depois da visita técnica, o arquivo enviado não pode representar a configuração antiga. Regenere o unifilar e o memorial juntos. Um PDF de inversor A com memorial de inversor B é diligência certa. Quando entra bateria, o unifilar muda de recorte.

Proteções CC e CA, DPS e seccionamento

Proteção não é um bloco genérico escrito “quadro”. O analista procura disjuntor geral, seccionamento visível, DPS e a coordenação com o ramal de entrada. A NBR 5410 trata da instalação em baixa tensão. A NBR 16690 trata da instalação fotovoltaica. A NTD da distribuidora acrescenta o que vale naquele território: posição do seccionamento, classe do DPS, o que pode ou não ficar antes do medidor.

Disjuntor incompatível com o ramal é impeditivo clássico. Um ramal que não comporta a corrente do disjuntor escolhido devolve o processo. Seccionamento visível ausente também. DPS Classe II na entrada CA, quando a NTD pede, precisa aparecer no unifilar e no memorial com a mesma afirmação: previsto ou não previsto. “Talvez tenha” não é estado de projeto.

No lado CC, fusível por string e seccionamento no stringbox. No lado CA, disjuntor do inversor, disjuntor geral e DPS. Não misture os dois lados num único retângulo. O cadista que “simplifica” o quadro para caber na prancha ganha uma exigência pedindo o detalhe que tirou.

  • — Disjuntor geral com corrente nominal visível, coerente com o ramal cadastrado.
  • — Seccionamento visível no ponto que a NTD vigente da distribuidora descreve — consulte a norma local, não o processo do vizinho.
  • — DPS Classe II identificado na entrada CA quando o projeto o prevê; ausência também precisa ser explícita.
  • — Proteção CC (fusível, seccionadora, DPS CC) só no trecho em que o arranjo realmente a tem.

Aterramento entra no unifilar quando a folha comporta, e sempre no memorial. Não invente malha que a visita não mediu. O validador de conformidade aponta disjuntor acima do ramal e DPS ausente antes do protocolo. Corrija no cadastro. Regenere o desenho. Não “ajuste o traço” no CAD deixando o memorial para trás.

Ramal, medição e ponto de entrega

O unifilar termina no ponto de entrega, não no inversor. Medição da UC, ramal de entrada e rede da distribuidora fecham o desenho. Sem esses blocos, o analista não vê como a geração se conecta ao sistema existente. A REN 1.000 e o PRODIST Módulo 3 tratam do acesso. A NTD vigente trata do padrão de entrada daquela concessionária.

Número da UC no bloco de medição. Seção do ramal no rótulo. Nome da distribuidora no bloco da rede. Padrão de medição — monofásico, bifásico, trifásico — igual ao da fatura. Um unifilar trifásico em UC monofásica é o tipo de erro que a análise documental pega em minutos e que o time só descobre quinze dias depois.

Ponto de entrega não é um sinônimo solto de “poste”. É o limite entre a rede da distribuidora e a instalação do consumidor. A NTD descreve onde ele fica e o que o padrão de entrada precisa ter até ali. O unifilar identifica esse limite. A planta de situação mostra o lote, o norte e a posição do arranjo. São documentos diferentes. Um não cobre o outro.

  • — UC no bloco de medição, igual à fatura — sem dígito a menos.
  • — Ramal de entrada com seção em mm², coerente com o disjuntor geral.
  • — Ponto de entrega identificado; não deixe a cadeia morrer no quadro do inversor.
  • — Grupo B em baixa tensão: o unifilar de cabine de Grupo A não se recicla neste recorte.

Conferência rápida: abra a fatura, o unifilar e o memorial na mesma mesa. Titular, UC, endereço, fases e ramal precisam coincidir. Divergência de endereço entre fatura e desenho devolve o processo por forma, não por engenharia. O checklist de Grupo B começa por essa conferência.

Bitola com origem rastreável

Bitola no unifilar sem memória de cálculo é número de palpite. A seção do condutor, isoladamente, não define a corrente admissível. Entram material, método de instalação, agrupamento e temperatura. A NBR 5410 e a NBR 16690 são a base. A NTD da distribuidora pode restringir o ramal e o padrão de entrada além disso.

No trecho CC, a bitola precisa aguentar a corrente de projeto derivada da Isc, com o fator aplicado. No trecho CA, a corrente de projeto sai da potência, da tensão, das fases e do fator de potência do inversor. Queda de tensão nos dois trechos fecha o dimensionamento. Se o memorial calcula 16 mm² no CA e o unifilar rotula 10 mm², o analista não “entende a intenção”. Ele devolve.

Por isso o Hora Solar calcula queda de tensão, condutores, proteções e curto-circuito a partir do cadastro e escreve a bitola no rótulo do trecho. Você não escolhe o número no combo do CAD. Você revisa premissa: comprimento, método de instalação, agrupamento. Mudou a premissa, muda a bitola nos dois documentos.

  • — Condutor CC e CA com seção no rótulo de cada trecho, não só na legenda geral.
  • — Corrente de projeto visível na memória anexa — o analista precisa ver de onde veio o mm².
  • — Ramal de entrada dimensionado à parte do circuito interno; os dois números podem ser diferentes, e os dois precisam aparecer.
  • — Método de instalação e agrupamento no memorial; o unifilar herda o resultado, não a conta escondida.

Formatos: SVG para revisar na tela, DXF para quem ainda precisa abrir no CAD e ajustar detalhe de prancha, PDF para protocolar. Os três têm de descrever o mesmo circuito. Se o DXF “ajustado” divergir do PDF enviado, você criou a diligência com as próprias mãos.

Carimbo CREA/CFT do responsável técnico

Unifilar sem carimbo do RT não é documento de responsabilidade técnica. É rascunho. O carimbo leva nome do responsável técnico, registro CREA ou CFT, número da ART ou TRT, titular, UC, cidade e potência. A folha identifica quem assina o que o analista está lendo.

O carimbo sai do cadastro da empresa e do projeto, não de um bloco solto colado no AutoCAD. Logo da empresa, dados do RT e ART configurados uma vez. Cada unifilar herda. Trocar de RT no meio do mês sem atualizar o carimbo é o tipo de forma que a distribuidora devolve sem olhar o disjuntor.

A responsabilidade técnica continua sendo de quem assina. Gerar o desenho a partir do cadastro não transfere essa responsabilidade para o software. O Hora Solar preenche a folha com os dados que você cadastrou. Quem confere e assina é o RT. ART ou TRT anexa ao protocolo. Número no carimbo igual ao do documento de responsabilidade.

  • — Nome do RT e número de registro iguais aos da ART/TRT anexa.
  • — Titular e UC no carimbo iguais aos da fatura — nome comercial não substitui razão social.
  • — Potência no carimbo igual à potência instalada declarada no memorial e no formulário.
  • — Assinatura no método que a distribuidora aceita na NTD vigente; o carimbo não dispensa a ART.

Cadista monta. RT assina. Se o time recicla prancha de outro cliente e só troca o nome no carimbo, o resto do desenho ainda conta a usina antiga. Isso não é economia de tempo. É a diligência mais cara do mês, porque o integrador já ligou cobrando status.

Consistência com o memorial — e o que muda em campo

O unifilar é lido junto com o memorial. A maioria das divergências aparece aí: um valor no texto que não bate com o diagrama. Potência, quantidade de módulos, modelo de inversor, bitola, disjuntor, DPS, ramal. Qualquer um desses, diferente, devolve o processo.

Siga o caminho da energia no desenho e confira o mesmo caminho no texto. Módulos, inversores, quadros, medição e conexão. Condutor e proteção identificáveis em cada trecho. Circuito mudou no campo? O arquivo enviado não pode representar uma configuração que deixou de existir. Regenere o pacote antes de protocolar.

A Lei 14.300/2022 e a REN 1.000 não desenham o unifilar. Elas definem o acesso, o porte da geração e o que a distribuidora pode exigir na solicitação. O PRODIST Módulo 3 descreve documentos e prazos da conexão. A folha em si obedece NBR 5410, NBR 16690 e a NTD vigente. Não invente cláusula. Cite a norma certa para o recorte certo.

  • — Compare modelo de inversor, quantidade de módulos e identificação dos circuitos com o memorial — e diferencie CC de CA.
  • — Disjuntor, ramal, DPS e seccionamento com a mesma afirmação nos dois documentos.
  • — Mudou equipamento na obra: atualize o cadastro, regenere memorial e unifilar, só então protocolar.
  • — Guarde a versão enviada. Exigência posterior se responde com a revisão, não com o arquivo “quase igual” da pasta antiga.

Leia o checklist do memorial descritivo e confira os dois documentos na mesma revisão. O cadastro único existe para o unifilar não ser uma segunda digitação. Quem ainda desenha a usina num arquivo e descreve outra no Word está pagando a divergência em prazo de cliente.

Referência

Dimensionamento e simbologia seguem NBR 5410 (instalações de baixa tensão) e NBR 16690 (instalações fotovoltaicas). Acesso e documentos da conexão seguem a REN ANEEL 1.000, o PRODIST Módulo 3 e a NTD vigente da distribuidora. Algumas concessionárias exigem também o diagrama de blocos, com strings, stringbox, quadro e interconexão com a rede — exigência recorrente na Neoenergia e na Equatorial. Consulte a NTD vigente antes de protocolar.

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