Gerador de memorial descritivo fotovoltaico
Queda de tensão, condutores CA/CC, curto-circuito e arranjo fotovoltaico já calculados no modelo de cada concessionária.
13 min de leitura Normas citadas com a versão vigente
O memorial descritivo de microgeração on-grid prova que o dimensionamento fecha: queda de tensão, condutores CA e CC, corrente de curto-circuito, arranjo fotovoltaico e proteções, com a memória de cálculo visível. A distribuidora lê o memorial junto com o unifilar. Valor no texto que não bate com o diagrama reprova o processo, mesmo com o sistema bem instalado.
Você não entrega um texto institucional. Entrega um documento técnico no modelo que a concessionária espera, assinado pelo RT, descrevendo esta UC. Copiar memorial genérico de outro projeto é o atalho que mais gera diligência: potência antiga, inversor fora de linha, bitola de outro ramal.
O que o memorial precisa responder
O analista abre o memorial para responder perguntas objetivas. Qual é a UC. Quem é o titular. Qual é a potência CC e a potência CA. Como as strings estão arranjadas. Qual condutor vai em cada trecho. Qual disjuntor, qual DPS, onde está o seccionamento visível. Qual a queda de tensão calculada. Qual a corrente de curto-circuito considerada. Se o texto não responde, o processo volta com “completar memorial”.
Conteúdo mínimo que o documento precisa carregar, alinhado à NBR 5410, à NBR 16690 e à NTD vigente da distribuidora:
- — Identificação: titular, CPF ou CNPJ, UC, endereço da fatura, concessionária e modalidade de compensação.
- — Arranjo: fabricante e modelo dos módulos, quantidade, strings, potência CC. Fabricante e modelo do inversor, quantidade, potência CA.
- — Condutores CA e CC com seção, material, método de instalação, agrupamento e temperatura considerados.
- — Queda de tensão calculada, com o limite explicitado. Dois por cento é a referência usual em ramal; confira a NTD vigente e a NBR 5410.
- — Proteções: disjuntor geral, disjuntor da geração, DPS, seccionamento visível e aterramento.
- — Corrente de curto-circuito do arranjo e premissas usadas no cálculo.
- — Responsável técnico, ART ou TRT, e carimbo. Sem isso o PDF é rascunho.
O PRODIST Módulo 3 (Seção 3.7) e a REN ANEEL 1.000 tratam da solicitação de acesso. A Lei 14.300/2022 trata do enquadramento. Nenhuma delas substitui o memorial de instalação. A concessionária quer o cálculo desta obra, neste ramal, com estes equipamentos.
Queda de tensão com a premissa visível
Queda de tensão é o item que o memorial “chuta” quando o texto é genérico. Frase do tipo “a queda de tensão está dentro dos limites normativos” não é cálculo. O analista quer o valor, o trecho, o comprimento, a corrente, a seção e o limite adotado. Sem premissa, o resultado não se revisa. Sem revisão, o documento não se defende numa diligência.
Calcule por trecho. Circuito CC do string até o inversor. Circuito CA do inversor até o ponto de conexão. Ramal de entrada, se a NTD pede. Cada trecho tem comprimento próprio. Usar 20 m em todos os projetos porque “é o padrão da pasta” produz memorial bonito e obra errada. Meça, peça o croqui ao integrador, ou declare a premissa e assuma o risco de vistoria.
Limite usual de 2% no ramal não é licença para omitir o número. Escreva, por exemplo, que o trecho CA de 18 m em cobre 10 mm², com a corrente nominal do inversor, resulta em 1,42%, abaixo do limite de 2% adotado. O Hora Solar coloca essa memória no memorial gerado a partir do cadastro: comprimento, seção, corrente, percentual. Você confere. O RT assina. O analista reproduz a conta se quiser.
Se a queda estoura o limite, a correção é seção, comprimento ou percurso — no cadastro — e depois regenerar o documento. Não apague o percentual e escreva “conforme NBR 5410”. O validador e o analista leem o número. O validador por concessionária aponta o trecho antes do protocolo.
Condutores CA e CC
Condutor no memorial não é só “6 mm²”. É material, isolação, método de instalação, agrupamento, temperatura ambiente e corrente de projeto. A NBR 5410 manda nessa conta em baixa tensão. A NBR 16690 manda no lado fotovoltaico. Bitola copiada do unifilar antigo ignora as duas.
No CC, o condutor precisa da corrente do string e da corrente de curto-circuito do arranjo. Condutor solar com isolação adequada ao uso externo e à temperatura no telhado. Trecho interno, se houver, com o método que de fato será usado: eletroduto aparente, bandeja, embutido. No CA, a corrente de referência é a do inversor, com fator de agrupamento se o circuito divide espaço com outros. O memorial declara isso. O unifilar mostra a seção resultante. Os dois saem do mesmo registro.
- — Não misture seção CC e seção CA no mesmo parágrafo sem identificar o trecho.
- — Alumínio no ramal de entrada não vira cobre no texto “para simplificar”. Material errado é padrão de entrada errado.
- — Condutor de proteção (PE) e condutor de aterramento das massas entram no memorial. Geração on-grid sem PE descrito é instalação incompleta no papel.
- — Se o método de instalação mudou em campo, atualize o cadastro e gere de novo. Memorial com eletroduto aparente e obra embutida é diligência na vistoria.
A seção admissível depende do conjunto, não do número mágico. Seis milímetros quadrados podem bastar num circuito curto e isolado, e falhar num agrupamento longo. A memória de cálculo existe para mostrar essa conta. Sem ela, o cadista escolhe bitola no olho e o engenheiro da distribuidora escolhe devolver.
Corrente de curto-circuito e arranjo fotovoltaico
Icc do lado CC não é a Icc da rede. O memorial precisa das duas quando o cálculo pede: corrente de curto-circuito do arranjo fotovoltaico, para dimensionar condutor e proteção CC, e as premissas de Icc no ponto de conexão, quando a NTD ou a NBR 5410 exigem para a proteção CA. Esconder a Icc numa frase genérica (“considerou-se a corrente de curto-circuito adequada”) é memorial de template.
Arranjo é a identidade do sistema. Quantidade de módulos, módulos por string, número de strings, tensão de circuito aberto nas condições consideradas, corrente de curto-circuito do módulo, potência CC total. Inversor: modelo, potência nominal, faixa de MPPT, quantidade. Doze módulos de 550 W são 6,6 kWp. Um inversor de 5 kW é 5 kW. O memorial escreve os dois. O formulário da distribuidora escreve os dois. O unifilar desenha os dois. Qualquer um dos três com 10 módulos devolve o pacote.
Microinversor e inversor string não compartilham parágrafo. Se o projeto é microinversor, o arranjo é módulo a módulo, com a quantidade de microinversores visível. Se é string, as strings precisam fechar com a entrada do inversor. Misturar linguagem de um no memorial do outro é sinal de texto colado.
- — Declare Isc e Voc de catálogo e as condições usadas (catálogo, temperatura). Sem condição, o número não se reproduz.
- — Strings desbalanceadas: descreva cada uma. “2 strings” com 8 e 6 módulos não é “2 × 7”.
- — Potência CC e potência CA em unidades diferentes (kWp e kW). Não some as duas.
Quando o Hora Solar gera o memorial a partir do registro, o arranjo que você cadastrou é o arranjo impresso. Não há um segundo lugar para “ajustar a string no Word”. Ajuste o cadastro.
Proteções: disjuntor, DPS, seccionamento e aterramento
Proteção no memorial é lista nominada, não adjetivo. Disjuntor geral do padrão, corrente e curva. Disjuntor do circuito da geração. DPS no lado CA, classe e posição. DPS no lado CC, se o arranjo e a NTD pedem. Seccionamento visível no ponto que a concessionária define. Aterramento das massas e ligação ao eletrodo existente, com a NBR 5410 e, quando o SPDA do imóvel entra na conversa, a NBR 5419.
O analista compara essa lista com o unifilar. Memorial com DPS Classe II e unifilar sem o símbolo: diligência. Unifilar com seccionamento e memorial silente: diligência. Disjuntor 63 A no texto e 40 A no desenho: diligência. Por isso o gerador de memorial precisa ser o mesmo motor do gerador de unifilar. Dois arquivos editados por duas pessoas são duas verdades.
Inversor on-grid: o memorial cita as proteções de interface com a rede. Anti-ilhamento, subtensão, sobretensão, frequência e reconexão. Não basta “inversor homologado”. Identifique o modelo. Se a concessionária pede declaração do fabricante ou ensaio, anexe. O memorial aponta o anexo. Não esconde a proteção num parágrafo de marketing.
Disjuntor acima do ramal não se resolve com prosa. Se o cálculo pede 63 A e o ramal é 40 A, o memorial correto mostra o conflito. O validador marca impeditivo. Você decide aumento de carga ou redesenho. Memorial que omite o ramal para o disjuntor “passar” é documento falso, não documento esperto.
Modelo por distribuidora, não um PDF genérico
Cada concessionária tem jeito de memorial. Uma pede tabela de condutores. Outra pede memória de cálculo em anexo separado. Outra exige capa com logotipo, ART e coordenadas. CPFL, Neoenergia, Enel, Cemig, Equatorial e Energisa não compartilham o mesmo formulário, e não compartilham o mesmo desenho de texto. Confira a NTD vigente da distribuidora. Baixe o modelo da semana do protocolo. Não use o arquivo de 2021 que está na pasta do time.
“Memorial padrão da empresa de homologação” só funciona se ele preenche o conteúdo que a NTD pede e vai acompanhado do anexo certo. Se a Neoenergia pede diagrama de blocos, o memorial sozinho não cobre. Se a Cemig pede identificação específica do padrão de entrada, um texto de queda de tensão não cobre. O gerador do Hora Solar usa a concessionária do cadastro para escolher o modelo e preencher os campos do projeto. Trocar a distribuidora no registro e regenerar é o fluxo. Recortar cabeçalho no Word é o anti-fluxo.
Capa e carimbo também são modelo. Logo da sua empresa, nome do RT, CREA ou CFT, número da ART ou TRT, data e revisão. Carimbo de outro engenheiro, ou ART de outra UC, é reprovação de forma. O memorial gerado herda o RT do cadastro. Se o profissional muda, muda o registro, gera de novo. Não recorte PNG de carimbo sobre PDF velho.
Idioma e unidade: português brasileiro, vírgula decimal, kWp e kW. Não entregue 6.6 kWp misturado com 6,6 kWp no mesmo parágrafo. O analista lê isso como dois valores. Padronize no cadastro para padronizar no papel.
Memória de cálculo que o analista consegue conferir
Cálculo caixa-preta não se defende. Se o memorial diz “bitola 10 mm²” e não mostra corrente, método e queda, qualquer exigência te deixa sem resposta. A memória acompanha o documento: premissas, fórmulas ou referência da tabela normativa, valores de entrada, resultado. O RT precisa reproduzir a conta. O analista, se quiser, também.
O Hora Solar gera o memorial com o cálculo dentro. Queda de tensão, condutores, disjuntor, DPS e curto-circuito saem do mesmo registro que alimenta o unifilar e a planta. Você vê o número. Você vê a premissa. Se o comprimento estava errado, corrige o campo e gera de novo. Não há “planilha paralela” que o memorial ignora.
- — Premissa visível: tensão, corrente, comprimento, método de instalação, temperatura, agrupamento.
- — Resultado visível: seção, queda em percentual, corrente de ajuste do disjuntor, Icc considerada.
- — Referência visível: NBR 5410, NBR 16690, NBR 5419 quando couber, e a NTD vigente da distribuidora. Sem número de cláusula inventado.
Guarde a memória junto da revisão protocolada. Na diligência, você responde com a conta, não com opinião. “Item 2 — queda de tensão. Comprimento corrigido para 22 m. Seção CA de 10 mm² para 16 mm². Memorial e unifilar revisão 02.” Esse é o tom que encerra exigência, o mesmo do guia de resposta a diligência.
Por que copiar memorial antigo reprova
O memorial genérico tem cara de completo e conteúdo de outro imóvel. Endereço residual. UC com um dígito a menos. Inversor que o integrador não vende mais. String de 18 módulos num telhado que cabe 14. DPS “Classe II na entrada” num projeto que o cadastro esqueceu de incluir. O analista não lê o estilo. Lê o número que não bate com a fatura e com o unifilar.
Copiar também congela premissa morta. A NTD mudou. O limite de queda ou a posição do seccionamento visível não é mais o do PDF de 2022. O modelo de formulário da concessionária ganhou campo novo. Texto antigo não preenche campo novo. Você protocola um documento que responde à pergunta de ontem.
Outro vício: editar só o cabeçalho e mandar o corpo igual. Potência “cerca de 5 kW” em dez processos seguidos. A distribuidora lê volume. Padrão de cópia aparece. Empresa de homologação que vive de volume não pode ter memorial de volume genérico. Cada UC é um registro. Cada registro gera o seu texto.
A automação cadastral existe para isso. Titular, UC, módulos, inversor e ramal entram uma vez. O gerador escreve o memorial desta UC. O unifilar desenha esta UC. O anexo da concessionária preenche esta UC. Sem redigitar potência. Sem colar parágrafo de queda de tensão de outro ramal.
Checklist cruzado com o unifilar antes de enviar
Antes do protocolo, leia o memorial com o unifilar aberto. Não leia um depois do outro em dias diferentes. O analista fará o cruzamento no mesmo turno. Você também.
- — UC, endereço, titular e RT iguais à fatura e ao carimbo. Nome fantasia não substitui razão social.
- — Arranjo: modelos e quantidades reais de módulos e inversores, strings iguais no texto e no desenho.
- — Premissas visíveis. Resultado sem premissa não se revisa.
- — Condutores, disjuntor, DPS e seccionamento com o mesmo nome e a mesma seção nos dois documentos.
- — Circuito mudou no desenho? Atualize o cadastro, regenere memorial e unifilar, rode o validador. Não protocolar revisão misturada.
Abra também a planta e o anexo da distribuidora. Endereço e potência precisam ser os mesmos. Se a NTD pede diagrama de blocos, ele entra no pacote, não “fica para depois”. O guia de unifilar detalha a simbologia; o memorial detalha a conta. Os dois são o mesmo projeto.
Depois de protocolar, registre número, data, revisão dos arquivos e o próximo evento. Análise documental tem relógio. Vistoria tem outro. O prazo por etapa não começa no dia em que você gerou o PDF. Começa no evento que a regra aplica. Guarde o memorial enviado. O arquivo “final_final_v3” na pasta do cadista não é versão de protocolo.
Se o campo alterar equipamento, o memorial antigo morre. Gere de novo. Responda a diligência com o pacote inteiro na mesma revisão. Esse hábito corta o retrabalho que o time ainda trata como “normal de homologação”. Não é normal. É cadastro duplicado com cálculo invisível. O gerador com cálculo dentro, no modelo da concessionária, é o contrário disso.
Use o checklist de GD em Grupo B na conferência final e o registro de causa do guia para reduzir retrabalho quando o memorial voltar. Motivo anotado vira item de revisão no próximo dossiê. Motivo esquecido vira a mesma diligência no próximo mês.
Dimensionamento e documentação de instalações em baixa tensão e fotovoltaicas seguem a NBR 5410 e a NBR 16690. Quando aterramento e descargas atmosféricas entram no dossiê, entra a NBR 5419. O rito de acesso segue a REN ANEEL 1.000, a Lei 14.300/2022 e o PRODIST Módulo 3 (Seção 3.7). O modelo de memorial, os anexos e os limites de padrão de entrada estão na NTD vigente da distribuidora da UC: confira essa NTD antes de protocolar.
Gere o memorial com o cálculo dentro